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CYRO MASCARENHAS
Brazil

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INDRISO TRISTE

Era um menino bonito,
cabelos encaracolados
e olhar fascinado por outdoor.

Queria roupa de grife,
tênis novo incrementado,
ter tudo do bom e melhor.

O assalto não deu certo.

No chão, morrendo, se via no outdoor...

 

 

 

 

 

 

 

 

 


DESVARIO DE OUTONO

Quando voltar o vento frio
do outono triste e soturno,
direi do meu desvario.

E qual folha morta flutuando
nos acordes de um noturno,
sem rumo, irei vagando.  

Liberdade é um conjunto vazio.

Seiva livre só corre no alburno.

 

 

 

 

 

 

 

 


DEIXA EU DIZER

Não se zangue oh! amante amiga
se encontrar em minha cantiga
outra musa a me inspirar...

Ou versos extravagantes
que lhe pareçam bacantes,
u'a face oculta a mostrar... 

Sossega. Ser poeta é ter empatia.

E assuma: ver-se no outro é poesia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


TEMPO DE MUDAR

Quantas vezes mais devo segredar
a mim mesmo que há tempo de mudar
inda que sinta a taça se esgotando? 

Como viver apenas o presente
se o passado, uma luz remanescente,
bom ou mal segue sempre aflorando?           

O jeito é olvidar que se esvai o sopro.

Paciência. O tempo de Deus é outro.


 

 

 

 

 

 

 


POEMA NATIMORTO

Meros papéis rasgados
no cesto arremessados,
versos abandonados.

Um poema natimorto,
nunca jamais composto,
jaz como alma sem rosto.

Perderam-se muitas rimas.

Mas que dizer da auto-estima?

 

 

(October, 2008)





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