AUSÊNCIA I
Loucas lembranças, luminosas, lépidas,
ao longe perdidas e envelhecidas.
nas horas paradas, estáticas, tépidas,
tal qual oceano invadem minha vida...
Levam-me aos milhares horizontes crépidos,
que lembram-me tempos na mente dormida...
E olho para trás com um saudoso suspiro,
e na doce lembrança volto e me retiro...
AUSÊNCIA II
Sonoríferos pianos desfolhando
teclas negras no brilho noturno...
Tempo morto e frio... passando
ao leste um vento vulturno,
como sombras da noite entrando
em meu frágil corpo taciturno.
Uma pequena estrela na janela
e teus olhos... tão meiga e tão bela...
AUSÊNCIA III
Temporais de flores caem
em teus olhos, brilhantes como estrelas
e por dentro remexe-me algo
que não sei qual é o nome.
Nossas sombras bailam unidas
nossas sombras juntas, despidas...
Temporais de flores em teus olhos
seriam de amor? ou de despedidas?
ETERNO VIAJANTE
OU “AUSÊNCIA V”
Regatos correndo musicalmente
entre borboletas trêmulas... errante...
letargia de um corpo entorpecente
ou viagem de um ermo penetrante
luz do Céu, tão divino e transcendente,
parte minha, cigano retirante,
eterno mochileiro dos milhões de Universos,
eterno viajante entre os homens adversos...
SENTIDO DA VIDA
OU “AUSÊNCIA VIII”
Notas aguadas das nuvens marmóreas
que orneam o distante firmamento,
brumas leves que atravessam o corpo...
Metais derretidos em fusão
de opostos eternos e de amantes
explosão de poder e megatons
vida é arte, é amor, é um sorriso,
e te beijo: mais nada eu preciso.
(November, 2009)
Do livro Antologia de poetas brasileiros contemporâneos. 50º volume.
Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Brasil. 2008.
INDRISO DA DESPEDIDA
Céu de abril. Árvores
derramando lágrimas foliáceas no seio do solo materno.
Choravas na estação,
dando-me adeus. Naquele momento em que fitava-te
todo aquele cenário bucólico
sumiu numa terrífica tempestade.
E esvaiu-se, num bafejo alcoólico,
a Dona Felicidade.
(April, 2009) |