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O


JOSÉ AUGUSTO DE OLIVEIRA
Brazil
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OBSTINAÇÃO

Possua-me, disse-me ela,
no verdor de seus 15 anos,
quando eu voltava da sega dos arrozais...

Possua-me, disse-me ela,
na exuberância de seus 20 anos,
quando eu voltava da colheita dos cafezais...

Colhe-me, disse-me ela, aos 30 anos. Colhi-a...

mil vezes, em meio aos arrozais, cafezais e milharais...

 

 

 

 

 

 

 

 

 


SAUDADE INFINDA

Colho da madrugada, gotas, orvalho...
Junto às que de mim caem,
em prantos, tristeza compungida...

À luz da lua,
tua imagem refletida,
na lágrima-orvalho, lírico-salgada...

            Beijo-a.

            Em saudades deliro, boca molhada...

 

 

 

 

 

 

 

 

 


DOCE DOR

Sol ouro, nuvens esparsas, céu azul...
contrastando-o, desvirginando-o,
esvoaçantes, em mil acrobacias...
 
Esqueletos feitos de palitos de coqueiro,
vestidos de papel de seda, multicoloridos,
caudas-borboletas, tiras de cetim esfiapadas...

            Arraias, pipas, papagaios, liberdade...

            Que dor me invade...  

 

 

 

 

 

 

 

 

 


FEBRE DA CARNE

Sexo exposto, desejando tato,
louca, raivosa, corre nua,
desvirginando ruas, becos e vielas...

Noite morna, lua grande, chorosa...
Brisa leve, gritos de dor e prazer,
estalos de galhos, relva amassada...

Feliz, a bela desvirginada jaz serena...

Coisas de lua cheia...

 

 

 

 

 

 

 

 

 


SALGADO DE SAL(U)DADE

De ausência dela embriagado,
desvairado, varei vãos da noite fria
entre vielas opacas.

Pinçando lembranças amanheci dolente,
corpo prostrado na maresia.
A alma, com gosto de sal de mar...

Cospem letras.

Vomitam palavras de agonia.

 


(October, 2008)





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