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KATHLEEN LESSA
Brazil
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NOVO ENCONTRO

De loucura e desatino,
de toques surpreendentes,
de volteios e olhares febris...

De pernas trançadas com braços,
de estalidos de lábios e línguas,
de ritmos experimentais...

      Paladares e olfatos novos, veredas virgens.

      Juntos na paixão, baião-de-dois bem temperado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


TEMPO ADVERSO

Hostilidade da vida,
fúria da natureza,
tempo atrelado à insegurança, desgraça...

Subversão e voragem,
ceifa de toda a gente,
tempo de projetos segados, brumaça...

         Vive-se um calendário de destino inóspito.

                      Ai, a dor e a agonia desses tempos torvos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 


SAUDADE  TARDE                                               

Eis que meu tempo passa,
eis que me faço tarde
para amores, amigos, quimeras... 

Um pôr-do-sol em agonia, à espera,
querendo tingir de sangue o horizonte,
escurecer, fazer-me eterna noite...

               Saudade embarga. Tremula febril.

                      Um corvo passa... Cai uma lágrima inteira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MÃOS ESMOLEIRAS
                                                               
Famélica e sedenta, olhos vermelhos,
mendigo as sobras do tempo, os farelos,
com um pires tosco na mão.

O mesmo tempo que produz frutos e arte
amarga o doce de compota e engendra um desastre...
Como entreter o tempo bom, amarrá-lo ao pé da mesa?

        Vaidoso, pisa tudo e todos, não repara em ninguém. 
           
                Recolho, por hoje, o pires inútil e as mãos esmoleiras.

 

 

(October, 2008)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TEU ACALENTO
                         
Ondas que vem e vão,
distâncias curtas e longas,
um mar de buliçosa paixão!

Tens meu amor lânguido e vassalo
no período madruguento, à chuva fina,
em que, leve, ressono e me calo.

    Meus lábios entreabertos devaneiam tuas carícias.

              Tua vigília respinga luz e sorriso no meu rosto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ANGÚSTIA
                                           
Angustio-me se teus olhos não me seguem,
se não me vejo em teus versos,
se não dizes, dia a dia, que me amas...

Angústia que transborda, molesta saudade,
que traz no âmago a espera ancha e infinita,
que atordoa, debilita, mas não faz adormecer...
   
   Debato-me aos pés do amor.

      Angustio-me se  me  faltas!

 

 

 

 

 

 

 

 


SILÊNCIO INQUIETO
      
Tantos calares...Tempo difuso...
Suor da angústia! Saliva seca.
Na madrugada quedamos. Ao acaso. 

Todavia, olhos vigiam o silêncio...
Coração e pensamento buscam pistas...
Luz longínqua, qual fieira de lamparinas...Talvez?

          Algo de repente se arquiteta. Quer falar!

                 Alma de poeta sempre se inquieta, não serena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


JANGADAS E ESPERAS                                                                          

Uma a uma as jangadas vão ao mar,
asas triangulares de lençóis abertos,
velas da liberdade e sustento.

Da praia, joelhos na areia, rosto ressequido,
uma mulher lança um lamento e aguarda,
as mãos sobre o peito aflito. Voltará?

      (Deus o guie e guarde, meu homem.)

                   (Console meu olhar, me faça um aceno...)

 

 

(May, 2008)

 

 

 


 

 

 

 

SOBRAS DO TEMPO
 
Vão-se os amores de Helena, ficam as dores.
Vão-se os anéis de Saturno, ficam as luas.
Vão-se os brincos da Princesa, restam as orelhas.

Vão-se os gatos, ficam os ratos.
Vão-se os pés mas fica o coração.
Vão-se as épocas, sobram os ditados.

         Há loucuras e mudanças em todas as idades.

               O tempo guarda um certo perfume de cada situação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



DECISÃO URGENTE
                                                                
Uma história a ser reescrita,
outras descobertas, novo amor... 
decisões e adiamentos.

Urge abrir a porta, pôr o pé na estrada!
O tempo não espera ninguém
não tem passagem reservada.

                             Momento agônico da lâmina de bom corte...

                                    Tudo ou nada!

 

 

 

 

 

 

 

 

 


UIVOS   

Na noite alta os lobos uivam,
lá e dentro de mim...
estão nas sombras da lua.

Vivem no meu coração de carmim arranhado,
nos fantasmas e sonhos relegados...
e ao longe, no meu imaginário.

Uma coruja-buraqueira pia.

(Ex/Es)pio meus pecados.

 

 

(February, 2008)

 

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