OS TEUS SORRISOS
Os teus dóceis sorrisos me dão arrepios,
provocam-me suspiros e gemidos,
fazem a minh’alma dançar.
Esses teus sorrisos assanhados que me fazem
sonhar acordada e sentir o que te provoca a sorrir
quando tu me olhas insinuante.
Ah, amado, dê voz e ação sem demora às razões
desses teus sorrisos provocantes!
(February, 2008)
A INCÓGNITA
Sei da incógnita que te abate
pelo silêncio que me encobre
e os dias sem mim te entristecem.
Em ti está incorporada a carência;
no teu rosto amargurado, o delineamento
e o relevo de um amor antigo,
mais o desejo que não pára de arder
na inútil procura por meu ser.
BORBOLETA OITENTA-E-OITO
A borboleta oitenta-e-oito, corpo pintado
de preto e branco, com detalhes em carmesim,
beija as flores avermelhadas pelo carmim
ao voar pelas avenidas dos campos
atrás do amor do ausente colecionador
que a deixou apaixonada de morte.
Lamenta, então, a sua constante desdita
de não prover a si mesma a boa sorte.
ABRAÇOS
Me lastimam os meus vazios braços,
doloridos pela força de teus abraços.
Ah! Doem até hoje em mim aqueles abraços...
Dói a saudade, o descompasso
e a infatigável esperança
de te dar outro abraço
que substitua a doída lembrança
do nosso último abraço.
(December, 2007)
MINHAS DUAS PONTAS
Minhas duas pontas intumescidas
são fingidas... Ah, sim, elas são!
Querem pretender algo diferente
mesmo responsivas pela sentida emoção.
Extremidades escurecidas que reagem
prontamente ao toque de tuas mãos.
Tornam-se auréolas divinas, rígidas,
mesmo quando negam a excitação.
A MINHA PARTIDA
Quando parti, deixei em ti o meu desencanto,
as lágrimas, o desalento e o teu desinteresse
por meu grande amor, que se sentia indigente.
Matei em mim tudo que representa a saudade
que ora estrangula o teu ego bastante machucado
e tamborila na desordem do meu desamor.
Faz de ti o que quer em meu nome,
mas é a minha indiferença que, duramente, te consome.
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