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MARDILÊ FRIEDRICH FABRE
Brazil

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1
SEM RUMO

Procuro meu rumo perdido...
Conheço tão pouco o mundo!
Cambaleante, erro vagabundo.

Tropeço no desalento infecundo...
Espero ver as luzes num segundo,
mas vislumbro o destino amortecido.

Tento alcançá-lo com desespero profundo...

Encontro apenas sentimentos adormecidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2
POESIA DE CADA DIA

Jorram palavras latentes
do sacrário do inconsciente,
e as rimas soam sonoras...

Um a um gotejam os versos.
Encharcam de sentimentos
vida de sonhos dispersos.

Nasce a poesia presente.

O poeta desnuda-se...

 

 

 

 

 

 

 

 

3
ZÉS

Na estação do metrô, milhares de passos.
Um vaivém de corpos indistintos, impacientes,
querem esquecer horas inclementes.

O sem-rosto Zé, cansado, volta ao lar.
No morro, é outra pessoa, Zé Alguém.
De novo, indivíduo, já no armazém.

Zé, ingênuo, acalenta sonhos também.

Quer ser um, não dois Zés diferentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4
A CRUZ É O LIMITE

No topo do monte Calvário,
um corpo inocente martirizado
sofre por um povo mercenário.

Passivo, deixou-se conduzir.
Sabia do seu cruel destino...
Nem na agonia pensou em fugir.

Nasceu para amor transmitir.

Morreu para pecados redimir.

 

 

(May, 2008)

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